The news published here are searched daily in different sources and transcribed here as shown in the original location. The Instituto Socioambiental does not take any responsibility for errors or opinions published in those texts.

O Globo, Rio, p. 21
30/08/2014
Justica paralisa obras na Paraty-Cunha

Justiça paralisa obras na Paraty-Cunha
Medida foi tomadas devido à falta de estudo de impacto ambiental. Moradores da região foram pegos de surpresa pela decisão

Paulo Roberto Araújo

RIO - Previstas para serem inauguradas no fim deste ano ou início de 2015, as obras de pavimentação da Estrada-Parque Paraty-Cunha foram paralisadas por determinação da Justiça Federal, a pedido do Ministério Público. O órgão alegou falta de estudo de impacto ambiental para a execução das obras em um trecho de 9,5 quilômetros no Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Os 270 homens que trabalham nas frentes de obras - que estão orçadas em R$ 90 milhões - foram dispensados. Caso descumpra a decisão judicial, o governo do estado terá que pagar multa diária de R$ 50 mil.
O presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Henrique Ribeiro, informou que as obras começaram no ano passado, após 25 anos de embargos judiciais. O trabalho só teve início, segundo ele, depois de atendidas todas as exigências dos órgãos ambientais. O trabalho, desde a execução do projeto, vem sendo acompanhado por uma equipe formada por biólogos, veterinários e outros técnicos da Uerj, assegura.
- Após a autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), começamos as obras. A briga judicial é entre os órgãos federais. Nós apenas executamos o trabalho - disse o presidente do DER.
A assessoria do ICMBio informou que, devido a uma reunião, o setor responsável não poderia dar informações sobre o caso nesta sexta-feira.
TERRAPLANAGEM DA ESTRADA ESTÁ QUASE CONCLUÍDA
A Estrada-Parque Paraty-Cunha está sendo pavimentada, por exigência dos órgãos ambientais, com bloquetes de concreto intertravados, que reduzem o barulho e a velocidade dos veículos. Três quilômetros já foram pavimentados, e um quilômetro está com a base pronta para receber a cobertura. Os serviços de terraplenagem já estão 90% prontos, e os "bichodutos" (trajetos para os animais sob a estrada) já foram instalados, assim como as bases para as duas pontes. Mais da metade das obras de contenção de encostas também já foi concluída.
- O embargo das obras é uma violência contra o direito de ir e vir dos moradores de três estados. Essa briga durou 25 anos. Não foi a estrada que invadiu o parque, foi o parque que invadiu a estrada, que tem mais de cem anos e é importante para o comércio, a saúde e a educação das cidades da região. Os moradores de Paraty, por exemplo, usam o Hospital Frei Galvão e as faculdades de Guaratinguetá (SP) - lamentou o comendador Antônio Conti, de 83 anos, que há 64 anos luta por melhorias na Paraty-Cunha.
PREFEITO VAI PROCURAR JUÍZA
O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, o Casé, disse que a decisão judicial revoltou os moradores da cidade. Ele informou que vai, pessoalmente, procurar a juíza Ana Carolina Vieira de Carvalho, que embargou as obras, para tentar sensibilizá-la sobre os efeitos da decisão:
- Fomos todos pegos de surpresa. Metade da estrada está pronta. A outra metade vai desabar, se o embargo judicial durar muito tempo. Foi embargada uma obra que políticos, presidentes, ministros e prefeitos prometem há mais de 50 anos, e que somente agora começou. Graças a uma compensação ambiental, a Eletronuclear já depositou o dinheiro para a conclusão da pavimentação da estrada, que também é uma via de escape em caso de acidente nas usinas nucleares de Angra dos Reis.
Casé lembrou que a Paraty-Cunha não é importante somente para o turismo.
- Será uma estrada diferenciada e, de fato, a primeira estrada-parque do Brasil. Ela, por si só, será um destino turístico, com seus mirantes e belas paisagens. Será possível ver os vestígios do Caminho do Ouro, antes soterrado e que está sendo recuperado pelas equipes técnicas que acompanham a obra. Será um resgate cultural da história do Brasil, graças a uma obra que está sendo feita com todos os cuidados técnicos, arqueológicos e ambientais.

O Globo, 30/08/2014, Rio, p. 21