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Instituto Mamiraua - http://www.mamiraua.org.br
26/06/2015
Urnas encontradas na Reserva Amana passam por processo de conservacao

A escavação de um sítio arqueológico traz à tona diversos vestígios. Nesse momento, uma parte da pesquisa está só começando. Cada fragmento resgatado terá que passar por um processo de limpeza e de acondicionamento, além de diversas análises. Duas urnas funerárias do acervo arqueológico do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), começaram a receber este tratamento no final de 2014.

As urnas foram escavadas na Reserva Amanã. Uma na comunidade Boa Esperança e outra na comunidade São Miguel do Cacau. Verônica Lima, estudante do Programa de Iniciação Científica do Instituto Mamirauá, ressalta que cada urna tem "um contexto diferente de deposição, apresentando um grau de fragmentação e de deterioração próprio. Ao conservá-las, visamos preservar as características originais de cada peça, eliminando ou estabilizando os fatores de degradação". São essas características originais que darão subsídios para pesquisas posteriores.

O trabalho nessas urnas é importante, já que uma parte dos fragmentos estava sofrendo desplacamento, quando partes da cerâmica vão se soltando. Verônica explica que "essas peças têm a presença de engobo, que é um tipo de pintura branca, feita com um material chamado tabatinga, um barro branco que a gente encontra na beira do barranco, ou com outros materiais também. Isso cobre a cerâmica, que depois é pintada".

A limpeza das peças é um processo delicado. Quando mal planejado e mal executado pode danificar os fragmentos. Por isso, a escolha da técnica de limpeza foi muito prudente. Verônica lembra que ao iniciar o projeto "ainda não tínhamos definido o material que iríamos utilizar para a conservação. Isso se daria a partir dos testes e dos processos de limpeza, até porque têm fragmentos da mesma urna que precisavam de tratamentos diferentes".

A primeira urna trabalhada foi encontrada na comunidade Boa Esperança. Os primeiros fragmentos que passaram pelo processo de conservação não tinham pintura, e foram tratados com limpeza a seco com bisturi, para retirada dos sedimentos mais espessos. Nesse processo, "alguns fragmentos apresentaram um musgo bem aderido ao sedimento que estava na cerâmica. Então, se você não tem cuidado, acaba retirando também uma parte da pasta cerâmica junto com o musgo", conta a bolsista.

Cumprida essa primeira etapa, as peças foram umedecidas: "Aquela camada mais fina que fica depois da retirada do sedimento mais espesso, a gente tirava com algodão umedecido, só com água. Em alguns casos também fizemos uma remoção mecânica, com pincel e água, nas áreas de fratura e na face interna do fragmento", afirma Verônica. A limpeza dos fragmentos que apresentam pintura também foi feita com algodão umedecido, trocado com frequência, para ter o controle do que estava sendo retirado.

Mas não é possível fazer uma limpeza completa em todos os casos. "Quando o sedimento estava muito aderido a essa pintura vermelha, optei por não remover, para não retirar a pintura junto. Nessas situações, é melhor deixar o sedimento, que depois você pode pensar em outra forma", analisa Verônica. Para finalizar o procedimento, o fragmento precisa secar naturalmente antes de ser reacondicionado na reserva técnica. Essa urna tem 133 fragmentos e 25 considerados desplacamentos.

A bolsista também relata como será o trabalho na segunda urna: "A base dela está bem conservada, ainda apresenta a pintura, com uma coloração avermelhada. Já a parte de dentro dessa base é que requer mais cuidado, porque pode ser que tenha vestígios de alimentos, de ossos, que são importantes para análises posteriores".

Ao avaliar o trabalho, Verônica aponta que "dependendo dos resultados da limpeza, talvez a gente possa dar continuidade ao projeto, já com o enfoque na restauração, na remontagem das urnas. Mas isso depois de sabermos como vão reagir ao processo de limpeza".

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica é desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Simpósio

Dados dessa pesquisa serão apresentados no Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon), realizado entre os dias um e três de julho na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). O evento poderá ser acompanhado ao vivo, pelo endereço: www.mamiraua.org.br/web.

O Simpósio tem por objetivo promover a divulgação científica e o debate sobre a conservação da biodiversidade, o manejo de recursos naturais, a gestão de áreas protegidas e os modos de vida das populações locais. É um evento que promove a interação acadêmica interdisciplinar, gerando diálogo entre pesquisadores.

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