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15/08/2011
Ruinas podem alterar a historia de Sorocaba

Pedras sobrespostas pelo ser humano, encontradas numa área de difícil acesso no Morro Araçoiaba, dentro da Floresta Nacional de Ipanema (Flona), em Iperó, podem estar relacionadas ao início da ocupação social na região de Sorocaba. E têm sido objeto de um estudo feito por um grupo de pesquisadores. A linha de pesquisa aponta para a possibilidade da construção ser referente à implantação do engenho de ferro criado por Afonso Sardinha, em 1597, na base do Morro Araçoiaba. A fileira de pedras também pode remeter às posteriores tentativas de exploração do metal, em meados dos séculos 17 e 18.

No entanto, a relevância desses achados somente será conhecida após estudos técnicos a serem desenvolvidos por especialistas na área de Arqueologia e História. Integrantes do Núcleo de Estudos Históricos e Ambientais da Floresta Nacional de Ipanema e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) planejam retornar neste ano ao local para analisar a "idade" das pedras.

Uma das dúvidas é a seguinte: essas ruínas já haviam sido descobertas ou não? Elas receberam no mês passado a visita de seis pesquisadores da região para a coleta de imagens. Entre eles estava o estudioso da Luso-Brasilidade, o português João Barcellos, que acredita não haver anteriormente qualquer tipo de registro dessa sobreposição de pedras. Segundo ele, o formato linear e parecido com um retângulo tem semelhança com as construções de 1500 e 1600 feitas em Portugal.

O primeiro a descobrir formações antigas de pedra no Morro Araçoiaba foi o pesquisador José Monteiro Salazar, em agosto de 1977. Com a ajuda de um mateiro, eles encontraram resquícios de um forno, de um canal de derivação da água e de uma parede da forja. "Na época, um grupo formado por arqueólogos e arquitetos foram ao local e comprovaram que as ruínas eram do período de Afonso Sardinha", diz Salazar, autor de dois livros sobre o assunto.

Cauteloso

O biólogo Luciano Bonatti Regalado, também pertencente ao atual grupo de pesquisa, prefere manter a cautela sobre a recente descoberta no Morro Araçoiaba. "Qualquer discussão sobre esses achados, que fogem da atual interpretação, é mera especulação". A história oral revela que Afonso Sardinha criou um arraial no Morro Araçoiaba ao descobrir a existência de minério de ferro na região. Esse português era um conhecido comerciante de metais e escravos da capitania de São Vicente e se instalou na região (hoje de Sorocaba) no fim do século 16 com o objetivo de ganhar dinheiro.

Sardinha teria se instalado juntamente com um grupo de escravos e índios para o trabalho de mineração e fundição de ferro. Com isso, eles teriam erguido um arraial para dormir, manter cavalos, burros e uma área para o plantio. Esse local, segundo dados levantados por pesquisadores, era chamado de Itabebussu. Em 1598, o governador geral do Brasil, Dom Francisco de Souza, foi ao Morro Araçoiaba conhecer o trabalho de Sardinha. Na ocasião, documentos mostram que ele teria levantado um pelourinho com a criação da vila Nossa Senhora do Monte Serrat. "Tudo indica que esse grupo de pessoas originou o que hoje é Sorocaba", diz Regalado.

Essa linha de estudo, segundo o pesquisador Adolfo Frioli, pode comprovar que o pelourinho nunca foi instalado no Itavuvu. "De lá [Itabebussu] ele teria sido levado direto para a vila de Nossa Senhora da Ponte [que deu origem a Sorocaba]", comenta. De acordo com o estudo de Frioli, os habitantes teriam saído do morro Araçoiaba após o encerramento do trabalho de Sardinha para a uma paragem que seria na região do Itavuvu. "Pois aquele era um ponto de travessia pelo rio Sorocaba", relata.

História preservada

O pelourinho era o símbolo da criação de uma vila. Uma réplica dele está em pé na praça Bruno Abreu Tigani, no bairro Itavuvu, em frente à Escola Estadual Salvador Ortega Fernandes, para manter viva a história da cidade. A comerciante Marlene Tigani Maciel, 59 anos, lamenta a falta de visitas ao local. "Vejo gente diferente aqui só na época do aniversário de Sorocaba", diz. Ela nasceu no bairro e diz saber de cor e salteado toda a história que envolve a região. "Dá um certo orgulho morar aqui por causa disso", completa. O padre Marivaldo de Oliveira, 59, é paroco da igreja Santa Cruz - ao lado do pelourinho - e lamenta a cidade não cultuar mais a região.

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