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FSP, Cotidiano, p. B5
08/01/2016
Lama da Samarco pode ter chegado a Abrolhos (BA), diz Ibama

Lama da Samarco pode ter chegado a Abrolhos (BA), diz Ibama

DE BRASÍLIA

Imagens de satélite e inspeções aéreas apontaram que a mancha de lama que surgiu após o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, pode ter chegado ao arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, uma das áreas de maior diversidade de corais do Atlântico.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (7) pelo Ibama e ICMBio, que mantém o parque marinho.
Segundo a presidente do Ibama, Marilene Ramos, ventos fortes registrados nos últimos dois dias fizeram com que a mancha que vinha se espalhando na direção sul do litoral do Espírito Santo passasse a se espalhar também no litoral norte, chegando ao sul da Bahia.
"Fizemos uma inspeção no Parque de Abrolhos e registramos a presença de uma lama que, pelo aspecto visual, tudo indica que seja a própria mancha bastante diluída que está se estendendo no Espírito Santo", afirmou.
A Samarco -formada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP- foi notificada para iniciar a coleta de amostras no local. Técnicos do Ibama e do parque também realizam análises para comprovar a origem do material. Os resultados devem ser divulgados em até dez dias.
Apesar de ainda não descartar outras hipóteses, Ibama e ICMBio dizem que é "muito provável" que a mancha de lama, que se apresenta bastante diluída, seja oriunda do desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem da empresa em Mariana (MG), ocorrido em novembro.
De acordo com Ramos, a mancha se estende da foz do rio Doce até o parque de Abrolhos.
"A observação de campo dá indícios de estar ligado à lama do rio Doce", diz Cláudio Maretti, presidente do ICMBio.
Segundo ele, outra possibilidade é que os sedimentos ocorram por conta de uma erosão -daí a necessidade de análise.
A possível chegada da lama poderá trazer impactos ao santuário marinho, onde há recifes de corais, algas e tartarugas.
O primeiro impacto é a diminuição na produtividade dos corais. É como se tivesse uma mancha preta na Amazônia, e ela não pudesse continuar sua fotossíntese", compara Maretti.
No fim de novembro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a lama do desastre causado pela Samarco não deveria chegar a Abrolhos devido a correntes marítimas.
PRAIAS INTERDITADAS
Segundo Marilene Ramos, a pluma de sedimentos de maior concentração no litoral se estende por 392 km². Já a de menor concentração -ou seja, mais diluída- chega a 6.197 km².
Nesta semana, a prefeitura de Linhares, no Espírito Santo, interditou as principais praias do município devido ao aumento da turbidez da água.
Questionada, a presidente do Ibama diz que não há recomendada a interdição das praias nas regiões onde a mancha de lama se mostra mais diluída. Segundo ela, as medidas devem ser analisadas caso a caso.
"Ainda que haja uma preocupação com a turbidez, essas amostras não indicam nenhuma presença de metais pesados ou de substâncias tóxicas que pudessem comprometer a balneabilidade", afirma. "Mas obviamente que onde a turbidez é elevada não é recomendado o banho", completa.
Ramos também fez críticas à atuação da Samarco em relação ao desastre. Para ela, a empresa vem atuando apenas em ações emergenciais, com pouco enfoque nas ações de recuperação da área atingida. "Até o momento a empresa não veio propor um plano de trabalho mais abrangente que olhe para aquela bacia e que seja compatível com o tamanho do desastre e a gravidade dos impactos", disse.

FSP, 08/01/2016, Cotidiano, p. B5

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