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Ibama
20/04/2004
Iniciado Plano de Manejo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque

Com a conclusão da oficina de capacitação nesta terça-feira, no município de Serra do Navio (AP), teve início o desenvolvimento do Plano de Manejo que permitirá a abertura do Parque do Tumucumaque ao público. "Estamos arregaçando as mangas e partindo para o campo. Queremos concluir o plano de manejo até o final do próximo ano, para que o parque possa estar aberto já em 2006", afirmou o gerente executivo do Ibama no Amapá, Edivan Barros Andrade.

A oficina de capacitação foi realizada pela Diretoria de Ecossistemas (Direc)do Ibama, em conjunto com a Gerência Executiva no Amapá. O curso foi desenvolvido em processo interativo onde os analistas ambientais foram construindo a ação, propondo a organização, orientações e diretrizes para iniciar o Plano de Manejo. "Esta oficina, já em seu segundo módulo, foi uma etapa fundamental para se construir o processo de plano de manejo para as Unidades de Conservação federais no Amapá, com prioridade para os parques do Tumucumaque e Cabo Orange, e para a Reserva Biológica Lago Pirituba", afirmou o gerente executivo do Ibama/AP, Edivan Barros Andrade.

Segundo o gerente, a partir do momento que os planos de manejo consistirão em documentos que permitem explicar à comunidade o que pode e o que não pode ser feito nas Unidades de Conservação. "Isso vai possibilitar um maior desenvolvimento e inclusão social em toda a região das Unidades de Conservação, permitindo uma melhor qualidade de vida para as populações do entorno das UCs".

Índios Wajãpi - O evento contou com apresentações sobre os problemas e potencialidades das Unidades de Conservação, no Estado do Amapá. No correr da semana foram tratados temas como: contextualização das unidades de conservação; zona de amortecimento; clima, geologia, geomorfologia, solos, espeleologia e hidrografia; aspectos sócio-econômicos, culturais e históricos; a questão indígena; aspectos institucionais; pesquisa e monitoramento; integração do entorno; estratégia de proteção; uso público e educação ambiental; objetivos do manejo; zoneamento e alternativas de desenvolvimento.

No sábado foi realizado um trabalho de campo, que contou com a colaboração dos índios "Seni" e "Ripé", da terra indígena Wajãpi - contígua ao parque. Após participação na oficina, onde demonstraram interesse pela regularização da unidade de conservação, por favorecer a proteção de suas terras, eles levaram os analistas ambientais para ver na prática as situações que encontrarão no dia-a-dia, durante a construção dos planos de manejo. Deram explicações sobre plantas medicinais, flora, fauna e outras características da região.

No domingo foi a vez dos analistas ambientais receberem explicações sobre as ações do Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia (Proecotur), do Ministério do Meio Ambiente. Segundo o especialista em áreas protegidas, Marcello Lourenço, 70% dos ecoturistas procura unidades de conservação, pois querem ver flora, fauna e paisagens exuberantes. "Nosso foco é atentar para o planejamento dessas áreas para atender suas necessidades. Por isso compartilhamos dessa política nova do Ibama, de capacitar os analistas para fazer os planos de manejo, pois acreditamos que é este o caminho correto", afirmou Lourenço

Tumucumaque - O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, na região noroeste do estado do Amapá, divisa com a Guiana Francesa, poderá receber visitação pública a partir de 2006. Pelo menos é o que prevê o responsável pelo parque, Christoph Jaster, a partir da Oficina de Plano de Manejo que está sendo realizada no município de Serra do Navio (AP) e que possibilitará o planejamento para a conservação da biodiversidade e manejo dos recursos naturais da Unidade de Conservação.

Com 38.670 Km2 (3,867 milhões ha), o Tumucumaque é o maior parque nacional brasileiro e a maior unidade de conservação de floresta tropical do Planeta. Sua área abrange cinco municípios do Estado do Amapá (27% do território) e um do Pará, sendo maior do que a Bélgica (30.513km2) e praticamente do mesmo tamanho da Holanda (40.844Km2). O contorno do parque, com cerca de 1.750 Km, eqüivale praticamente à mesma distância entre Belém (PA) e Brasília (DF). Além das belezas cênicas, o Tumucumaque possui em seu interior inscrições rupestres de tribos indígenas antigas e as nascentes dos principais rios do Estado do Amapá.

Christoph Jaster entende que os principais problemas do Tumucumaque estão na pressão antrópica (ação humana), realizada através de turismo informal, caça e pesca, pistas de pouso clandestinas e, principalmente, a ação ilegal de garimpeiros. Na zona de amortecimento, no entorno da Unidade, ele aponta o tráfico e a biopirataria, a agricultura de subsistência, as ocupações irregulares e, ainda, a existência de uma comunidade de aproximadamente 120 pessoas inserida no limite do parque, junto à divisa com a Guiana Francesa - a Vila Brasil, como principais entraves para a conservação da biodiversidade no Parque.
(-Ibama-Brasília-DF-20/04/04)