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Eco 21, n. 215 - www.eco21.com.br/textos
31/10/2014
Governo Federal cria 7 UCs

Governo Federal cria 7 UCs

Lucas Tolentino
Jornalista do MMA

Recentemente, o Governo Federal criou sete novas Unidades de Conservação ambiental no País e ampliou outras duas. Com a medida, o Brasil conta agora com mais 903 mil hectares de área protegida em todo o território nacional. A criação dessas Unidades beneficia diretamente mais de 800 famílias, que dependem financeiramente da preservação ambiental nas regiões em que vivem.
Os Estados beneficiados com a criação das Unidades foram Amazonas (Estação Ecológica Alto Maués), Minas Gerais (Parque Nacional Gandarela e Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes Geraizeros), Paraná (Parque Nacional de Guaricana) e Pará (Reservas Extrativistas Marinhas Mocapajuba, Mestre Lucindo e Cuinaran). Além disso, houve ampliação das Reservas Extrativistas Araí-Peroba no Pará e a Reserva Extrativista Médio Juruá, no estado do Amazonas.
A criação do Parque Nacional Gandarela, a cerca de 40 km de Belo Horizonte, por exemplo, coloca sobre proteção ambiental um das últimas áreas de Mata Atlântica ainda existente no País e que enfrentava ameaças de desmatamento ilegal. O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin destaca o envolvimento das comunidades locais e da sociedade civil na criação das áreas de conservação: "A criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Geraizeiras, por exemplo, nasceu de reivindicações de movimentos sociais da região e vai atender plenamente às expectativas das comunidades locais. A luta do movimento, que representa e organiza essa população, era pela criação da reserva em uma das poucas áreas do norte de Minas Gerais que apresenta cobertura florestal bastante conservada", afirmou
Na mesma linha, o Coordenador de Gestão Socioambiental do ICMBio, Daniel Castro, destaca a criação das reservas extrativistas marinhas no Pará, que devem ser responsáveis pela proteção do ecossistema localizado na maior faixa contínua de manguezais do Planeta (680 km de costa).
"A criação de reservas extrativistas são obrigatoriamente resultado de reivindicações das próprias comunidades locais. O que se busca nessas reservas, em especial, é compatibilizar a preservação ambiental com o modo de vida tradicional das comunidades. Isso é feito buscando o envolvimento efetivo da sociedade na gestão dessas reservas, de modo a assegurar o uso sustentável dos recursos naturais e a promoção da qualidade de vida dessas populações", explicou.

Estação Ecológica Alto Maués
A criação da Estação Ecológica (ESEC) Alto Maués era aguardada por entidades como o WWF-Brasil e a Coalizão Pró-UCs, que têm a expectativa de que sejam criados 27 milhões de hectares de novas UCs nos próximos quatro anos. A nova UC possui 668.170 hectares e contribui para fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e torná-lo representativo de todos os biomas brasileiros.
Estação ecológica é uma categoria de Unidade de Conservação voltada a proteger a biodiversidade local, garantir a manutenção dos serviços ecossistêmicos e contribuir para a estabilidade ambiental da região. A ESEC Alto Maués faz divisa com outras áreas protegidas, como o Parque Nacional da Amazônia e as Florestas Nacionais de Pau-Rosa e do Amanã. A ESEC é uma das UCs com o maior número de primatas brasileiros. Ao todo são 13 espécies, sendo três delas endêmicas, ou seja, que só ocorrem na região. Também ocorrem no local 624 espécies de aves, sendo 28 migrantes do hemisfério norte e duas do hemisfério sul, além de três espécies ameaçadas de extinção.
A área não possui ocupação humana e por isso mantém cobertura vegetal íntegra. A UC faz parte das metas do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) e consta no documento Área Prioritária para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira.
"A criação desta Estação Ecológica era esperada e é essencial para a proteção de espécies únicas da Amazônia, como alguns primatas e aves. Além disso, é uma área de grande extensão geográfica, fato que deve se tornar um pouco mais raro na criação das próximas Unidades de Conservação", afirma Mauro Armelin, superintendente de conservação do WWF-Brasil. Entretanto, ele destaca que apenas a criação deste tipo de Unidade não é o único passo para proteger a biodiversidade da região. "Resta agora o grande desafio de efetivamente implantar a Estação Ecológica e consolidá-la, permitindo que desempenhe o papel para a qual foi criada", finaliza.
Na lista de UCs aguardadas para a criação ainda estão regiões de grande relevância como Boqueirão da Onça (BA), Campo dos Padres (SC), Alcatrazes (SP) e a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos (BA).

Eco 21 n. 215, out., 2014, p. 43

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