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ICMBio - www.icmbio.gov.br
25/05/2009
Franceses mergulham no ecoturismo comunitario no Cabo Orange

Vivenciar o dia a dia de uma comunidade tradicional brasileira, conhecer suas formas de subsistência, descobrir a sua cultura. Essa foi a grande experiência que turistas franceses levaram dos cinco dias em que passearam pelos rios de águas escuras emoldurados pelas matas virgens do Parque Nacional do Cabo Orange (PNCO), no Amapá. A expedição é fruto do projeto de pesquisa "Tartaruga Imbricata" (Tortue Imbriquée, em francês), uma parceria dos governos do Brasil e da Guiana Francesa que busca aliar ecoturismo com ações nas comunidades próximas do parque.

Imbriquée significa imbricado, unido, integrado. A filosofia do projeto de pesquisa é promover o turismo sustentável que beneficie não apenas o parque, pela presença de turistas, mas fundamentalmente as comunidades locais. A tartaruga é um símbolo das atividades que deverão ser realizadas na região pelos países parceiros e que deverão fortalecer a comunidde, como os escudos desse animal. "Para a gestão do parque interessa que haja uma presença do turista, que garante a preservação da área e inibe ilícitos. Para os comunitários, é mais uma possibilidade de geração de renda e inclusão social", diz a analista ambiental e chefe substituta do parque, Kelly Bonach.

E as expectativas são as mais otimistas possíveis. O projeto objetiva adquirir uma embarcação regional de madeira, exclusiva para essas atividades, como transporte de turistas e de materiais produzidos pelas comunidades, além de servir de apoio às atividades do parque. "Não queremos criar bases como hotéis ou pousadas, mas integrar o turismo às necessidades da comunidade, interferindo o mínimo possível no modo de vida local", frisa Bonach.

Os comunitários precisam de uma embarcação para transportar produtos como melancia, banana, cacau, além da possibilidade do barco servir de apoio ao posto de saúde, às atividades pedagógicas das escolas e às atividades de pesquisa da unidade de conservação. O barco deve ficar sobre a responsabilidade de uma associação comunitária criada para este fim no futuro.

O grupo que participou da experimentação foi formado por três turistas franceses, dois pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS/UnB) e do Centro de Excelência em Turismo, uma representante da Coordenação de Visitação do ICMBio de Brasília, uma analista ambiental do parque, uma representante da Embaixada Francesa no Brasil e cinco representantes da empresa Yatoutatou - parceiro francês do projeto. "A experimentação envolveu cerca de 30 comunitários, que atuaram na culinária, como guias ou mostrando as atividades de susbsistência local, como a fabricação de farinha", destaca Bonach.

O grupo deslocou-se por estrada de Roura/Guiana Francesa à comunidade Primeiro do Cassiporé/Brasil no dia 11. Dormiu em uma casa regional na estrada e desceu as cachoeiras do rio Primeiro de caiaque, indo ao encontro do barco Peixe-boi, de propriedade do parque, no rio Cassiporé, onde dormiram.

No dia seguinte, todos puderam conhecer as atividades da comunidade Vila Velha do Cassiporé, como o beneficiamento artesanal do cacau, a fabricação de farinha de mandioca e almoçaram na companhia dos comunitários, que prepararam todos os pratos. "O almoço regional proporcionou aos visitantes o conhecimento das tradições culinárias da região, como o Tamoatá no tucupi com jambu", destaca a analista ambiental.

O tamoatá é um peixe típico dos rios da Amazônia, também chamado "cascudo" por causa de sua couraça de cor amarelada. Já o tucupi é uma espécie de líquido amarelo, extraído da raiz da mandioca. Seu preparo antes do consumo é demorado, uma vez que é venenoso cru. Jambu é erva típica da região norte do Brasil muito utilizada na culinária.

Acampados na beira do lago Bacabal, no interior do parque, o grupo dormiu acompanhado de comunitários de Vila Velha de Cassiporé, sem perder o espetáculo de jacarés em habitat natural. A manhã foi regada por uma caminhada de duas horas e visita a uma fazenda local de criação de búfalos, que ainda passará por processo de regularização fundiária por se encontrar na área do parque.

"O entrosamento entre os turistas e os comunitários foi fantástico. E a recepção sempre calorosa nas áreas por onde passamos. O Sr. Antônio, por exemplo, dono da fazenda, tem grande interesse em extinguir a criação de búfalos para trabalhar com esse tipo de turismo de base comunitária, por ser um grande apreciador e conhecedor da região. Ele pretende usar o próprio barco para transportar os grupos de turistas no futuro", frisa Bonach.

Após descer o rio Cassiporé até o mar, a expedição turística terminou com um jantar de confraternização entre os envolvidos na base do parque, na vila de Taperebá. A representante da Coordenação de Visitação do ICMBio/Brasília, a analista ambiental coordenadora do projeto e o chefe do parque viajaram em seguida para a Guiana Francesa, onde se reuniram com representantes da área turística daquele país para uma avaliação dos resultados da experimentação, objetivando novas parcerias.