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Brasil Economico - www.brasileconomico.com.br
23/08/2010
Fogo se alastra em parques e destroi fauna e flora vulneraveis

A área é de difícil acesso e o incêndio já dura mais de dez dias no Parque Nacional do Araguaia, na Ilha do Bananal. Ali se concentra a ação do Prevfogo, órgão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com o apoio do Exército. "É o local que mais nos preocupa no momento, porque se trata de uma ilha e as chamas saíram do controle", diz José Carlos Mendes de Moraes,chefe do Prev fogo. A área também é terra indígena, e o combate deve ser executado com o apoio da Funai.

A expansão do fogo no Centro-Oeste para áreas de conservação preocupa. Pelos menos 48 terras indígenas foram atingidas pelos focos de incêndio, além de áreas protegidas, como a Re-serva Biológica Nascentes Serra do Cachimbo, Floresta Nacional do Jamanxi, vários parques estaduais e nacionais, como o de Araguaia, da Serra da Canastra (já controlado) e o pior de todos - o que atingiu o Parque Nacional das Emas, em Goiás.

A tragédia do parque goiano, um dos refúgios silvestres mais importantes do cerrado brasileiro, considerado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, chocou os ambientalistas. "O que mais me revoltou é que se o plano de manejo tivesse sido cumprido, não tinha como o incêndio tomar tamanho proporção", afirma Maria Tereza Jorge Pádua, membro do Conselho da Fundação O Boticário e da Comissão de Parques Nacionais da União Mundial para a Natureza (UICN). O plano de manejo prevê faixas onde a vegetação é eliminada da superfície do solo para prevenir a passagem do fogo.

Cercado por plantações

"A existência de pequenos focos de fogo no cerrado é natural e benéfica para as plantas", afirma o biólogo Leopoldo Magno Coutinho, hoje aposentado do Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP) e pioneiro nos estudos sobre o papel do fogo sobre aquele ambiente. "Há espécies herbáceas que logo depois da queimada rebrotam, não morrem, flores cem, frutificam e servem de alimento fresco para a fauna.Mas um incêndio nessas proporções, que atinge mais da metade do parque, é uma barbaridade!".

Maria Tereza acrescenta que o parque está cercado por grandes cultivos agrícolas, sendo que muitos deles não mantêm áreas preservadas. Quando existem, essas reservas não se ligam ao parque para contribuir para a dispersão e o equilíbrio das espécies. "Os animais que não morreram pelo fogo não vão encontrar o que comer", diz Maria Tereza. O parque abriga onças, veados campeiros, antas, lobos e tamanduás, que já estão vagando pelas fazendas em volta atrás de alimento.

Para o presidente da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, as queimadas são provocadas pela "limpeza" das terras. "É o que nós chamamos de 'emergência crônica'", diz. Ele acredita que, nos casos em que são inevitáveis, poderiam ao menos ser controladas. "Não faz sentido essas grandes frentes de fogo que duram semanas, como agora.

http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=364524