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23/02/2018
Filhotes de quelonios livres na natureza

Filhotes de quelônios livres na natureza
Mais de 2 mil filhotes foram soltos no Parque Nacional do Jaú. Atividade contou com a participação de monitores voluntários, que ajudam a proteger os ninhos.

ICMBio

O Parque Nacional do Jaú teve um dia especial no último domingo (18) com a soltura de mais de 2 mil filhotes de quelônios em um lago próximo da unidade de conservação no Amazonas. Ao todo já foram soltos mais de 6 mil filhotes de quelônios de quatro espécies típicas da Amazônia: tartaruga-da-amazônia, tracajá, irapuca e cabeçudo nascidos no Rio Unini, em áreas do Parque Nacional do Jaú e na Reserva Extrativista do Rio Unini.

A atividade, que faz parte do Projeto Monitoramento Participativo da Biodiversidade em Unidades de Conservação na Foz do Rio Jaú, contou com a participação de mais de 70 pessoas, entre crianças e educadores da Fundação Almerinda Malaquias (FAM), que trabalha educação ambiental com estudantes de Novo Airão, voluntários, monitores, colaboradores e familiares.

Segundo Josângela, o monitoramento de quelônios tem uma grande importância para a gestão da unidade de conservação, que vai além do fator ecológico, pois trabalha a sensibilização dos atores envolvidos. "É muito gratificante ver a felicidade dos participantes nestes eventos de soltura das tartaruguinhas, não há dúvida que muda a relação das pessoas, sejam moradores ou visitantes, com as unidades de conservação", ressalta Josângela.

"Foi muita a emoção quando os filhotes foram liberados: em linha e com muito cuidado. Os alunos e adultos ajudaram os filhotes a encontrar a água, o ambiente natural deles, começando assim uma longa vida entre diversos perigos que são os predadores naturais e o predador homem. A esperança é que muitas voltarão às praias da região, adultas, para desovar e perpetuar as espécies", argumentou Jean-Daniel Valloton, diretor executivo da FAM.

"Essa é uma experiência incrível, poder contribuir para o equilíbrio do meio ambiente e possibilitar que milhares de vidas estejam livres na natureza, isso me motiva a engajar mais pessoas para participar do monitoramento", ressalta Suzane Cruz, voluntária do Parque Nacional do Jaú, que participou da etapa de proteção de praias e transplante dos ninhos de tartarugas-da-amazônia.

Antes de soltá-los no lago nas proximidades do Parque, foi realizada uma palestra pela consultora do IPÊ, Virgínia Bernardes, sobre os quelônios e o trabalho de monitoramento. As crianças participaram de uma atividade de educação ambiental conduzida pelas voluntárias.

"Primeira vez que conseguimos proteger tantos ninhos, 42 no total, sinal que as fêmeas de tartaruga-da-amazônia estão aumentando ou se sentindo mais à vontade para desovar nas nossas praias protegidas", comemorou Ademilson Cabral, um dos monitores da foz do Rio Jaú.

Chocadeira - O trabalho se inicia com a proteção das praias, durante o período de desova, com a identificação dos ninhos e transferência dos ovos que estão em áreas de risco de roubo ou alagamento para a Praia da Velha, em frente à base Jaú, ou para a chocadeira artificial na própria base. Na região da foz do Rio Jaú, a principal praia do monitoramento é a Maquipana, considerada a maior praia do Baixo Rio Negro, que também é alta, o que favorece a desova da maior espécie dos quelônios da Amazônia, a tartaruga-da-amazônia.

quelonios3eNessas praias da foz do Rio Jaú, há desovas de outras três espécies: tracajá, irapuca e iaçá. A etapa seguinte é a proteção dos ninhos até que os filhotes eclodem dos ovos. "Do nascimento até a soltura, eles são mantidos em tanques-rede dentro do Rio Jaú, até chegar o grande dia de comemorarmos o sucesso desse trabalho com a soltura dos filhotes", explica Josângela.

Proteção - O Projeto também é realizado em parceria com as comunidades do Rio Jaú e Unini, por comunitários voluntários, que monitoram as praias e protegem os ninhos de diferentes espécies de quelônios aquáticos. No período de 9 ao 17 de fevereiro foram realizadas as solturas dos filhotes nascidos no Rio Unini, em áreas do Parque Nacional do Jaú e da Reserva Extrativista do Rio Unini. No total, foram soltos na natureza aproximadamente 6.000 filhotes de quelônios de quatro espécies típicas da Amazônia: tartaruga-da-amazônia, tracajá, irapuca e cabeçudo. "Esse número irá aumentar, pois os filhotes soltos nas comunidades do Rio Jaú ainda não foram contabilizados", explica a Josângela da Silva Jesus, analista do Parna Jaú.

O Programa de Monitoramento Participativo da Biodiversidade do Parque Nacional do Jaú é realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio do IPÊ e com recursos do Programa ARPA, Fundação Gordon and Betty Moore e USAID. Outros parceiros também apoiam a iniciativa: WCS-Brasil, FVA, UFAM/Pé-de-Pincha, SEMA (AM) e Prefeitura Municipal de Novo Airão.

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