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15/03/2011
Da teoria a pratica

Eliminar a distância entre a teoria e a prática no ensino tem sido a meta da educação brasileira, mas ainda é um privilégio de algumas escolas públicas e particulares que se esforçam para levar os alunos ao campo. No caso do ensino superior brasileiro é quase que uma obrigação, porém os parcos recursos impedem que sejam realizadas viagens de campo suficientes para a boa qualidade do profissional. Já na Alemanha, essa é uma realidade do ensino praticada há décadas. Pelo sexto ano consecutivo, universitários e professores alemães da Universidade de Tubingen, situada na Província de Baden-Wurttemberg, da cidade de Tubingen, sul da Alemanha visitam a região do Parque Estadual Cristalino, Norte de Mato Grosso. Este ano, a excursão fecha o ano científico 2010/2011 entre Brasil e Alemanha, que teve uma extensa programação de parcerias entre os dois países, envolvendo nove universidades públicas brasileiras com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia da Alemanha BMBF.

Antes de chegarem no Cristalino, o grupo passou um mês visitando diversas regiões brasileiras, passando pela Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. Participaram da excursão a coordenadora técnica do Museu de História Natural de Sturttigart (Baden-Wurttenberg), Brigitte Fiebig e o botânico Thomas Jossberger.

Desde 2006, quando foi feita a primeira vez à Amazônia mato-grossense, a Universidade de Tubingen já trouxe cerca de 150 universitários das áreas de biologia, geoecologia, geologia, geografia e medicina, somando 16 excursões coordenadas pelo professor Rainer Radke. Os estudantes se dividem em grupos e escolhem o tema que desejam desenvolver pesquisas. Ao final, cada um deve produzir relatórios científicos que são colocados à disposição da comunidade local, através da Fundação Ecológica Cristalino, de Alta Floresta.

"A região do Cristalino tem uma riqueza natural imensurável, que levará muitas décadas para que seja totalmente estudada. Todo ano tem algo novo a ser estudado", comenta o professor.

Em seis anos de estudos, a Universidade de Tubingen tem colaborado na identificação de novas espécies de peixes do rio Cristalino e de formigas nas áreas das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN) Cristalino. Acredita-se que exista uma diversidade bastante acentuada de espécies de peixe em toda a região do Parque Estadual Cristalino e das reservas por conta da grande diversidade de ambientes disponíveis para a ictiofauna.

Das espécies encontradas no rio Cristalino, podemos citar a cachorra (Hydrolicus scomberoides), tucunaré (Cichla aff. ocellaris), trairão ( Haophias gr. Lacerdae ) entre outros.

O monitoramento de espécies de peixes do rio Cristalino, realizado pela Universidade de Tubingen iniciou-se em 2006 e hoje existem cadastradas 49 espécies, sendo duas consideradas novas para a ciência, possivelmente dos gêneros Gelanoglanis sp. e Curinata.

Os primeiros estudos foram feitos pelos universitários alemães Timo Moritz e Vivica Von Vietin Ghoff. Outro destaque das expedições para o monitoramento da ictiofauna do rio Cristalino foi a espécie Eigenmannia cf., identificada como um pequeno peixe elétrico.

As formigas que vivem na floresta amazônica também são alvo de estudos da Universidade de Tubingen. Os universitários ficam entusiasmados com a quantidade de espécies e a forma como se alojam nos pés das grandes árvores, criando formigueiros enormes que chegam a ter mais de 200 metros de extensão. Rainer conta que em 2009 o aluno Felix Moll foi aprovado num Doutorado nos Estados Unidos pelo ótimo relatório produzido sobre as formigas nos trópicos.

Pode parecer estranho, mas as formigas fazem parte de um grande leque de estudos de inúmeras universidades, entre elas a Universidade Federal de Mato Grosso que, somente este ano, apresentou teses de mestrado com foco em pesquisas relacionadas a este pequeno animal. As formigas representam um grupo muito diverso nos ambientes naturais e integram um sistema importante em estudos de diversidade. Apesar de se reconhecer a ampla distribuição das formigas nos estratos verticais, pouco se sabe dos padrões estruturais das comunidades.

"É muito bom quando os estudantes eliminam a distância entre a teoria e a prática no decorrer das excursões, como por exemplo, ao observar que o número de indivíduos das espécies dos trópicos, da maneira como está descrito nos livros é demasiadamente pequeno", constata Rainer.

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