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O Globo - http://oglobo.globo.com
24/09/2010
Corregos secam e cidade da amazonia mato-grossense fica sem agua

Uma cidade de Mato Grosso localizada numa região cercada pelo Parque Nacional do Juruena, Terra Indígena Kayabi e Parque Estadual do Cristalino, um verdadeiro paraíso natural que ainda resiste, enfrenta a maior seca dos últimos 26 anos. A informação é de moradores da cidade e da empresa responsável pela distribuição de água tratada no município. A Secretaria de Meio Ambiente também confirma que o município nunca passou por tamanha escassez de água tratada. Os moradores enfrentam inclusive um racionamento de água. Todos os córregos que abasteciam a cidade secaram.

Distante 800 km ao norte da capital, Alta Floresta, cidade de aproximadamente 50 mil habitantes, fica no coração da Amazônia Mato-grossense. A região é banhada pelo rio Teles Pires, que junto com o Juruena formam o Tapajós, principal afluente do rio Amazonas. Possui uma rica bacia hidrográfica, com córregos que cortam todo o município, mas a maioria agoniza. A degradação ambiental, somada à forte seca desse ano, deixou a cidade sem água pela primeira vez.

- Eu nunca ouvi falar que já faltou água aqui. Os moradores dizem que é a primeira vez - diz Waldemar Milanski Júnior, coordenador da Companhias de Água do Brasil - CAB, que distribui água tratada.

A companhia que abastece a cidade fez várias manobras e investiu pesado em motores e adutoras. O custo mensal da empresa aumentou em cerca de R$ 100 mil. A água está sendo captado em uma represa particular. A estrutura de captação conta com uma grande adutora (cano de 150 milímetros), com 3 quilômetros de extensão e a ajuda de motobombas para transferir água da represa particular para o reservatório de captação, tudo com autorização da justiça. Só então a água chega à estação de tratamento e é distribuída em forma de rodízio. De domingo a terça-feira ,só uma parte da cidade recebe água. Outra parte é abastecida até quinta-feira e no fim de semana é a vez de moradores de outro setor da cidade. Segundo Waldemar Milanski, o rodízio é preventivo para evitar uma racionamento mais severo.

- A gente tem que estocar água. Nunca vi uma coisa dessas aqui em Alta Floresta. Já tive que sair de casa para tomar banho na casa de parentes. Faltou água na minha casa - contou o jornalista Arão Leite, que mora na cidade há pelo menos 20 anos.

- O problema já se estende por 50 dias. Secou tudo, até mesmo os rios médios. O Quatro Pontes e o Santa Helena também estão quase secos - afirmou Waldemar Milanski.

A Bacia Mariana composta pelos córregos do Severo, Papai Noel, Taxidermista I, Taxidermista II e Ribeirão Alta Floresta é responsável por fornecer água para a cidade. Há 15 anos esses córregos tinham profundidade de até 2,5 metros. Era água em abundância e qualquer morador duvidava que um dia faltaria água na cidade. As pontes ficavam cheias de pessoas que tinham os córregos como local de lazer nos fins de semana. Pouco mais de uma década depois, todos estão assoreados, poluídos por esgoto, nascentes destruídas e secaram. Este ano a situação assustou moradores e ambientalistas. Até mesmo aquele que resistia os 90 dias sem chuva e abastecia a cidade, este ano também secou.

Hoje, com a falta d'água, a cidade assiste surpresa às campanhas no rádio, escolas e distribuição de panfletos mas ruas, alertando a população para economizar água, sob o risco de enfrentar um racionamento ainda maior. Nos últimos 20 dias, três chuvas atingiram a cidade, mas não deu nenhum resultado.

- Quando caem as primeiras chuvas, fracas, é pior. A terra está tão seca que o lençol freático baixa mais ainda com as primeiras chuvas - conta Waldemar.

A última chuva que atingiu a cidade foi na sexta-feira passada, há sete dias. A previsão é que somente na segunda quinzena de outubro comece a chover com frequência no município.

- Acho que até lá ainda dá pra gente ir abastecendo a cidade - disse o coordenador da empresa Companhias de Água do Brasil. No entorno da cidade existem cinco represas grandes, todas praticamente secas.

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