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OESP, Metropole, p. A25
31/03/2016
Contaminacao do Rio Doce por lama ainda e alta

Contaminação do Rio Doce por lama ainda é alta

Luísa Martins - O Estado de S. Paulo

A contaminação por metais pesados em amostras colhidas em 13 pontos do Rio Doce, detectada em análises preliminares de pesquisadores das universidades federais de Rio Grande (Furg) e do Espírito Santo (Ufes), está acima do limite considerado aceitável pela legislação. Índices preocupantes de substâncias como arsênio, cádmio e chumbo levaram os órgãos ambientais a manterem, por tempo indeterminado, a recomendação da suspensão da pesca ao longo da costa.
Um peixe roncador coletado das águas do rio, por exemplo, apresentava 140 vezes mais arsênio do que o máximo estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Os cientistas afirmam, porém, que este número representa apenas uma das mais de mil amostras coletadas no início do ano da foz, no Espírito Santo, até o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no sul da Bahia. "Esta não é a média. Existem dados que precisam ser confirmados e certificados em laboratório. Nem todas as amostras foram analisadas ainda, mas temos números expressivos que já auxiliam os órgãos públicos na tomada de decisões", disse o pesquisador Adalto Bianchini (Furg), especialista em toxicologia aquática.
Os dados parciais foram apresentados nesta quarta-feira, 30, ao Ibama e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti, existe uma "preocupação mais aprofundada" em relação às Unidades de Conservação, que também foram atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana (MG), quase cinco meses atrás. Além do parque de Abrolhos, na Bahia, houve impactos na Costa de Algas e no Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz, ambas no Espírito Santo.
Em abril, deve haver uma nova expedição para coletar novas amostras de água, sedimentos e biodiversidade do rio. A ideia é comparar com as que já foram analisadas e tentar concluir se o dano realmente foi causado pela lama da Samarco - em caso positivo, verificar se os danos são "agudos ou crônicos" - ou por outros motivos. "É um meio fluido e muito dinâmico, que pode mudar até com o vento", alertou Maretti.
Os estudos futuros devem se debruçar, também, nos impactos biológicos da contaminação por metais pesados. Em outra amostra analisada recentemente, a água continha 10 vezes mais chumbo, 9 vezes mais cobre dissolvido e o dobro de cádmio do que o limite estabelecido pelo Conama.
A presidente do Ibama, Marilene Ramos, garantiu que o monitoramento da costa do rio a longo prazo é fundamental para que o plano de recuperação do Rio Doce seja cumprido. Em 30 dias, novas recomendações sobre a pesca devem ser expedidas pelos órgãos ambientais, com possibilidade de novas autuações à Samarco se for comprovada a correlação entre os danos ambientais e a lama de Fundão.
A mineradora disse, em nota, que não teve acesso às prévias do laudo do ICMBio e que monitora 118 pontos do Rio Doce e do mar. Informou que, segundo estudos conduzidos pela própria empresa, organismos apresentaram níveis de concentração de metais acima dos padrões da legislação, mas já apresentavam essas alterações antes do desastre. "A passagem da pluma não disponibilizou estes metais em níveis que pudessem causar a acumulação dos mesmos nos pescados", diz a nota.

OESP, 31/03/2016, Metrópole, p. A25

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