As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos.

MMA - http://www.mma.gov.br
05/09/2016
Apoio comunitario garante sucesso de projeto

No Dia da Amazônia (5/9), série sobre o Prêmio da Biodiversidade mostra a atuação do Instituto Mamirauá para conservar o peixe-boi.

Foi pelas ondas do rádio que muita gente da região do Médio Solimões, no estado do Amazonas, ficou sabendo que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá era vencedor do Prêmio Nacional da Biodiversidade (PNB) 2015 nas categorias Academia e Júri Popular (escolhida por meio de votação na Internet), com o Projeto Conservação do Peixe-boi-amazônico, desenvolvido desde 1993.

"A reação em saber da vitória foi positiva, de muito orgulho", conta Míriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto. O programa de rádio 'Ligado no Mamirauá', com trinta minutos, vai ao ar duas vezes por semana, à noite, pela Rádio Educação Rural de Tefé. É ali que o Mamirauá está sediado, com a missão de informar e mobilizar os moradores das áreas ribeirinhas.

O Prêmio Nacional da Biodiversidade, que está com as inscrições abertas para a segunda edição, foi o primeiro recebido pela iniciativa de conservação do peixe-boi. Símbolo da região amazônica, está classificado como "vulnerável" na Lista Nacional de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção e no Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora.

"Ganhar o primeiro lugar e ainda a aprovação popular, concorrendo com tantos trabalhos inscritos, foi muito gratificante. Sempre mencionamos a honra recebida junto aos parceiros para alavancar o apoio de órgãos financiadores", conta Míriam.

O projeto atua na reabilitação de filhotes órfãos ou animais feridos, geralmente presos em redes de pesca ilegal, até que possam voltar à natureza, também desenvolve atividades de pesquisa e de educação ambiental.

Desde 2008, o trabalho é realizado no Centro de Reabilitação de Peixes-boi de Base Comunitária (Centrinho), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã. O Centro está credenciado pelo Ibama como "criatório conservacionista de animais silvestres", onde os animais se recuperam em ambiente natural, dentro de currais de madeira que flutuam no lago Amanã.

A estratégia já reabilitou e devolveu ao ambiente natural 12 peixes-boi-amazônicos. Eles voltam ao habitat com um cinto preso à cauda, que emite sinal de rádio e permite seu monitoramento via telemetria. "Tentamos acompanhá-los pelo máximo de tempo possível e registrar dados como deslocamento, biologia, presença", afirma a pesquisadora.

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

O peixe-boi-amazônico pode chegar a 3m e pesar 450Kg. É um bicho tímido, arisco e costuma se esconder em águas profundas. Alimenta-se de gramíneas e suas fezes fertilizam as águas, servindo de adubo para plantas e alimento para os peixes. A caça do animal era permitida até 1967, para extração da carne, do couro e até da banha.

Como a espécie praticamente não pode ser vista a olhos nus sob as águas turvas da região onde ocorre, conseguir caçá-la é sinônimo de coragem, capacidade e ousadia - e a proibição de abatê-la encontra resistência na própria cultura local. "A carne é muito apreciada na região. Considerada uma iguaria, não pode faltar em grandes celebrações, quando é dividida entre os moradores e até vendida em outros municípios", afirma Míriam.

Por isso, explica a pesquisadora, a participação da comunidade é imprescindível para o sucesso de estratégias de proteção ao animal. "Uma das grandes contribuições ao trabalho de pesquisa e conservação é o envolvimento comunitário. Os ribeirinhos participam na reabilitação e no monitoramento dos peixes-boi, o que permite indícios de que a pesca do animal está diminuindo", diz. O acompanhamento pode durar até dois anos. Os filhotes órfãos não conseguem sobreviver sem a mãe e ganham como pais adotivos os integrantes do projeto.

O carinho que esses cuidadores sentem pelos animais se torna tão grande que chega a se transformar em arte. Em Tefé, por exemplo, o Xote do Piti é bem conhecido. Homenageando o primeiro animal a ser devolvido às águas, Otílio Feitosa de Araújo, Seu Mimi, da comunidade Ubim, canta: "É o Piti que nasceu no Aranapu/É o Piti que o projeto adotou/E o Piti caiu numa malhadeira/E desta vez o pescador arpoou/Quando ele viu que o peixe era pequeno/Tirou o arpão e o ferimento ficou/E o Piti entrou logo em tratamento/Tomou injeção e outros medicamentos/E o Piti já está bem recuperado/Já está sarado aquele ferimento (...)".

RECONHECIMENTO

Iniciativas, atividades e projetos concluídos ou em estágio avançado de execução, que apresentem resultados e impactos comprovados para a melhoria do estado de conservação da biodiversidade brasileira, podem participar da segunda edição do Prêmio Nacional da Biodiversidade (PNB).

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (SBF/MMA). Tem como objetivo reconhecer ações que se destacam na contribuição para o alcance das Metas Nacionais de Biodiversidade.

Em sua segunda edição, o PNB contempla sete categorias: Sociedade Civil, Empresas, Iniciativas, Comunitárias, Academia, Órgãos públicos, Imprensa e, Ministério do Meio Ambiente.

A Comissão Julgadora selecionará três finalistas e um vencedor em cada categoria, de acordo com os seguintes critérios: estado de conservação da espécie; impacto; caráter social; e inovação.

PREMIAÇÃO

Os vencedores serão agraciados com troféu e certificado, em solenidade no dia 22 de maio de 2017, em Brasília-DF, quando se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade. Também será concedido o Prêmio Especial "Júri Popular", cujo resultado é definido por votação eletrônica no sítio do MMA.

São elegíveis iniciativas que promovam a manutenção ou a mudança para uma categoria de menor risco de extinção da espécie ou demonstrem evidências claras que comprovem o alcance de, ao menos um, dos seguintes itens: Redução do declínio ou aumento do tamanho da população; redução da fragmentação ou aumento da conectividade entre as subpopulações; ampliação da área de distribuição da espécie, mesmo que seja por identificação de novas áreas ou; redução das ameaças às populações das espécies.

CRONOGRAMA:

Inscrições: 30 de junho de 2016 a 22 de outubro de 2016
Avaliação: até 18 de abril de 2017
Divulgação dos finalistas: 22 de abril de 2017
Cerimônia de premiação: 22 de maio de 2017
Acesse o Edital (Edital no 1, de 28 de junho de 2016)

Informações adicionais:
premionacionaldabiodiversidade@mma.gov.br

http://www.mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&i...