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O Globo, Rio, p. 29
20/09/2014
Ambientalistas temem prejuizos na Paraty-Cunha

Ambientalistas temem prejuízos na Paraty-Cunha
Com paralisação das obras na estrada, há risco de deterioração da pista; córregos já estão ficando assoreados

Gustavo Goulart

Quase um mês após a paralisação das obras de pavimentação da Estrada-Parque Paraty-Cunha, entre o Rio e São Paulo, por decisão da Justiça federal, ambientalistas e autoridades fazem uma previsão trágica para o destino da via se a proibição for mantida por mais tempo. De acordo com o subsecretário estadual de Urbanismo Regional e Metropolitano, Vicente Loureiro, metade da estrada, que terá 9,4 quilômetros de extensão, já está pronta e poderá se deteriorar com o abandono forçado pela decisão da juíza federal Ana Carolina Vieira de Carvalho, de Angra dos Reis.
- Os prejuízos já existem. Os córregos estão sendo assoreados pela terra. Com uma chuva mais forte, as encostas que já foram escavadas para receber muros de contenção podem desabar. Mais de 80 estudiosos da Uerj estavam monitorando a fauna e a flora, catalogando e estudando as características e o comportamento dos animais da região, para protegê-los. Além dos prejuízos ambientais, há perdas sociais e econômicas. Moradores da Costa Verde adoentados, por exemplo, precisam procurar hospitais especializados em Guaratinguetá (próximo a Cunha, em São Paulo). Hoje, a viagem dura mais de duas horas e meia por outras estradas. Com a pavimentação da Paraty-Cunha, o tempo poderia ser reduzido para 45 minutos - disse Loureiro.
O secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Sustentável da Baía da Ilha Grande (Consig), Valdir Siqueira, lamenta a desmobilização do canteiro de obras e do aparato montado por biólogos, veterinários e outros especialistas da Uerj.
- Todos os equipamentos, tanto das construtoras como dos professores, foram desmontados. Haviam sido instaladas câmeras e armadilhas para identificar animais e catalogá-los. Será uma estrada toda monitorada. Ônibus e caminhões não poderão circular - disse Valdir Siqueira sobre a paralisação da obra, que foi orçada em R$ 108 milhões. - Com certeza, com a paralisação, o custo vai aumentar.

FALTA DE ESTUDO AMBIENTAL
A decisão da Justiça, atendendo a pedido feito pela procuradora da República Monique Cheker, foi baseada na falta de estudo de impacto ambiental e relatório de impacto no meio ambiente (EIA-Rima). Mas, segundo Vicente Loureiro, o estudo ambiental feito por técnicos da Uerj é muito mais aprofundado do que um EIA-Rima.
- O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aprovaram o projeto. Ele foi todo concebido para tornar a região uma atração turística preservada - comentou Loureiro.

Justiça marca audiência de conciliação para 21 de outubro

A juíza federal Ana Carolina Vieira de Carvalho, de Angra dos Reis, marcou para o dia 21 de outubro, no fórum local, uma audiência de conciliação com os responsáveis pela obra de construção da Estrada-Parque Paraty-Cunha. Segundo o subsecretário estadual de Urbanismo Regional e Metropolitano, Vicente Loureiro, que participou de uma reunião na semana passada com a juíza, com o objetivo de sensibilizá-la sobre a importância da estrada para moradores da Costa Verde, a magistrada fez três exigências.
- Uma foi a realização de uma audiência pública. Ela quer saber qual o critério de escolha do traçado da estrada. Também quer a apresentação do estudo mostrando como serão feitos o controle e o monitoramento da via, no que se refere à proteção da fauna, especialmente durante a noite. Vamos mostrar a ela que estamos zelando pela preservação do meio ambiente e também a importância econômica, social e turística da obra. Do jeito que está, abandonada, vai ser pior. Não foi uma boa opção a suspensão da obra - comentou Loureiro.

ESTRADA SERÁ FECHADA À NOITE
A procuradora da República Monique Cheker, no entanto, diz que, do jeito que a obra está sendo feita, haverá mortes de animais por atropelamento no Parque Nacional da Serra da Bocaina.
- Apenas dois quebra-molas serão construídos. A velocidade dos carros precisa ser de 30km/h. Há animais em extinção, e não quero ver uma onça morta por atropelamento. São necessários pelo menos 12 quebra-molas, segundo um estudo feito por um especialista em estrada de Minas Gerais - contou.
O prefeito de Paraty, Carlos José Gama Miranda, o Casé, também lamenta a decisão da Justiça e ressalta que a estrada, após sua abertura, será fechada à noite.
- Essa estrada é um anseio da população há 62 anos. Ela será uma opção turística, com mirantes e a visualização do Caminho do Ouro, que foi resgatado durante as obras. Será a primeira estrada-parque de fato, pois está sendo feita com bloquetes de concreto intertravados, que reduzem o barulho e a velocidade dos veículos.

O Globo, 20/09/2014, Rio, p.29

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