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O Globo, Ciencia, p. 31
11/07/2008
Abrolhos pode ter o dobro do tamanho

Abrolhos pode ter o dobro do tamanho
Descoberta em águas profundas uma extensa área rica em biodiversidade

Carlos Albuquerque

A maior cadeia de recifes de corais do Atlântico Sul pode ser ainda maior do que se imagina. Pesquisadores brasileiros anunciaram ontem, durante o Simpósio Internacional dos Recifes de Coral , na Flórida, a descoberta de uma grande área no Banco de Abrolhos, no sul da Bahia. Localizado em águas profundas da região - que inclui o Parque Nacional de Abrolhos - o ambiente aponta para uma rica biodiversidade ainda inexplorada. A revelação, dizem os cientistas, reforça a importância de políticas de conservação e manejo no local, que tem 46 mil quilômetros quadrados e abriga várias espécies, algumas ameaçadas de extinção.
- O que descobrimos é que Abrolhos pode ter o dobro do tamanho até então conhecido - explica o biólogo Rodrigo Leão de Moura, da Conservação Internacional (CI), um dos autores da pesquisa, desenvolvida em conjunto com a Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade Federal da Bahia. - Embora ainda falte explorar essa nova área, sua descoberta significa que devemos reforçar a conservação da região e promover o seu uso de forma sustentável.
O trabalho de investigação dessa área, em ambientes com profundidades que variam entre 20 e 70 metros, começou em 2000, graças às informações dadas por pescadores que atuam na região.
- Começamos a perceber que os peixes estavam sendo trazidos de regiões que ainda não se tinha noticia e que não estavam mapeadas - revela o pesquisador.
Até então, lembra Moura, a maior parte das áreas de recifes mapeadas em Abrolhos ficava em águas rasas porque representavam perigo para a navegação.
- Depois desses avisos dos pescadores, começamos a fazer explorações preliminares na região. Fizemos alguns mergulhos e constatamos que os recifes existiam mesmo.
E percebemos imediatamente que havia muita vida marinha ali. Foi surpreendente.
Em alguns deles, encontramos trinta vezes mais biomassa do que em alguns recifes costeiros mais conhecidos.
Nos quatro anos seguintes de pesquisa, os cientistas trabalharam com navios equipados com sonares de varredura lateral.
- Esse sonar emite um feixe lateral de sons. Depois, ele mede o retorno desses sons. Como cada tipo de estrutura de recifes traz um retorno diferente do som, ele consegue fazer um desenho a partir de cada uma dessas ondas sonoras. É um mecanismo semelhante ao usado pelos golfinhos.
De acordo com o pesquisador, embora o estudo ainda esteja numa fase inicial, um fato importante chama a atenção.
- A tecnologia existe para os dois lados.
Os pescadores também contam com recursos, como o GPS, que permitem que eles marquem uma área e voltem a ela seguidamente. Por isso, devemos agora não apenas estudar a biodiversidade dessa área, mas conciliar a sua conservação com o seu uso sustentável pela indústria pesqueira. É essa a equação que temos pela frente.

O Globo, 11/07/2008, Ciência, p. 31